Novas perspectivas surgem no tratamento do câncer de cólon com a possível utilização de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Um estudo recente da Universidade da Califórnia em San Diego, publicado na revista Cancer Investigation, sugere que esses fármacos podem estar associados à redução do risco de morte em pacientes diagnosticados com essa neoplasia.
A pesquisa analisou dados de mais de 6.800 pacientes com câncer de cólon, abrangendo todos os centros de saúde da universidade. Os resultados apontaram que os indivíduos que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1), à qual pertencem as “canetas emagrecedoras”, apresentaram uma probabilidade significativamente menor de óbito em um período de cinco anos, em comparação com aqueles que não faziam uso desses medicamentos. A redução no risco de morte foi superior a 50%.
Essa correlação se manteve consistente mesmo após ajustes estatísticos considerando fatores como idade, índice de massa corporal (IMC), gravidade da doença e outras condições de saúde preexistentes. Tal fato sugere que os medicamentos podem exercer um efeito protetor independente contra a progressão do câncer de cólon.
O estudo também indicou que o benefício na sobrevida, ou seja, o tempo de vida após o diagnóstico do câncer, parece ser mais expressivo em pacientes com IMC muito elevado (acima de 35). Essa observação levanta a hipótese de que os medicamentos GLP-1 poderiam auxiliar na neutralização de processos inflamatórios e metabólicos que, sabidamente, podem impactar negativamente o prognóstico do câncer de cólon.
Os pesquisadores acreditam que os potenciais efeitos protetores desses medicamentos podem estar intrinsecamente ligados ao seu mecanismo de ação. Os agonistas do receptor GLP-1 são conhecidos por reduzir a inflamação sistêmica, aprimorar a sensibilidade à insulina e promover a perda de peso, fatores que, em conjunto, podem contribuir para a inibição do crescimento tumoral.
Estudos conduzidos em laboratório também fornecem evidências de que os medicamentos GLP-1 podem atuar diretamente na prevenção do crescimento de células cancerígenas, induzir a morte celular programada (apoptose) e modificar o microambiente tumoral, tornando-o menos favorável ao desenvolvimento da doença.
Apesar dos resultados promissores, os autores do estudo ressaltam a necessidade de mais pesquisas para confirmar essas descobertas e determinar se o benefício observado representa um efeito anticancerígeno direto ou uma consequência indireta da melhora da saúde metabólica dos pacientes.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


















