Sumário
ToggleA proliferação de informações em plataformas digitais, especialmente nas redes sociais, tem impulsionado a disseminação de supostos benefícios relacionados a produtos naturais e práticas alternativas. Um exemplo notável é o chá de casca de beterraba, que tem sido amplamente divulgado como uma solução milagrosa para diversas condições de saúde.
Publicações em mídias sociais frequentemente atribuem a esta infusão propriedades como a purificação dos vasos sanguíneos, a desintoxicação corporal e o controle da pressão arterial, entre outras promessas consideradas extraordinárias. No entanto, uma análise aprofundada das evidências científicas revela uma lacuna significativa entre as alegações populares e os dados comprovados, indicando que a vasta maioria desses atributos carece de fundamentação robusta.
As narrativas que circulam online sobre o chá de casca de beterraba frequentemente empregam uma linguagem cativante, prometendo resultados que poderiam revolucionar a saúde. Dentre os benefícios mais comumente alardeados, destaca-se o fortalecimento da imunidade, a redução da pressão arterial, o auxílio no processo de emagrecimento, a desintoxicação do organismo, a purificação dos vasos sanguíneos com consequente melhora da circulação, o combate à anemia e a promoção da saúde da pele. A lista de potenciais efeitos positivos apresentada por influenciadores e sites não oficiais é extensa, criando uma percepção de que a bebida é um elixir multifuncional.
Ausência de Comprovação Científica para o Chá Específico
Apesar do entusiasmo gerado por tais alegações, a investigação científica formal ainda não estabeleceu comprovação para a maioria, senão a totalidade, dos efeitos atribuídos ao chá de casca de beterraba. Os estudos disponíveis até o momento são insuficientes para garantir que essa infusão específica seja capaz de oferecer, por si só, qualquer um dos benefícios prometidos na internet. A ausência de pesquisas conclusivas sobre a casca fervida em água como uma bebida terapêutica é um ponto crítico que distancia as promessas online da realidade baseada em evidências.
Distinção entre o Chá da Casca e Outras Formas de Consumo da Beterraba
É fundamental diferenciar as pesquisas realizadas com o tubérculo da beterraba (Beta vulgaris) e seu suco daquelas que abordam especificamente o chá de sua casca. A maioria das investigações científicas que mencionam benefícios potenciais da beterraba concentra-se no consumo do vegetal inteiro ou de seu suco. Estas pesquisas destacam frequentemente a presença de nitratos, compostos antioxidantes, fibras alimentares e diversas vitaminas no alimento.
Tais componentes são reconhecidos por suas contribuições à saúde, como a melhora da circulação e a proteção contra danos celulares. Contudo, esses achados relacionados ao tubérculo ou ao suco estão distantes de validar as “promessas” propagadas sobre a infusão da casca. A concentração e a biodisponibilidade desses nutrientes podem ser significativamente diferentes quando a casca é submetida a processos de fervura e infusão.
As Propriedades da Casca da Beterraba: O que a Ciência Realmente Diz

A beterraba, em sua totalidade, é um vegetal rico em qualidades nutricionais. Não apenas a polpa, mas também a casca, contém propriedades importantes que, em muitas ocasiões, são descartadas durante o preparo. Estudos indicam que a casca da beterraba possui potenciais antioxidantes, atribuídos à presença de betalaínas e compostos fenólicos.
Estas substâncias são pigmentos naturais e fitoquímicos conhecidos por sua capacidade de neutralizar radicais livres, contribuindo para a saúde celular. No entanto, é crucial observar que a maioria dessas pesquisas foi realizada em ambiente de laboratório, utilizando extratos da casca da beterraba (estudos in vitro). Isso significa que, embora haja um reconhecimento das propriedades desses compostos, não existe garantia de que os mesmos benefícios sejam obtidos através do consumo da casca de beterraba sob a forma de chá, nem que sua absorção e ação no corpo humano sejam as mesmas observadas em testes controlados.
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Riscos Potenciais e a Ineficácia Metodológica do Chá
Além da falta de evidências sobre os benefícios, a preparação do chá de casca de beterraba pode apresentar problemas significativos. O processo de fervura, por exemplo, é conhecido por degradar e, em alguns casos, eliminar muitos nutrientes sensíveis ao calor presentes nos vegetais. No contexto do chá da casca, não há evidências que confirmem que a fervura efetivamente libere compostos benéficos em concentrações terapêuticas. Mesmo que houvesse alguma liberação, a precisão da concentração dessas propriedades seria extremamente difícil de determinar, tornando o consumo uma incógnita em termos de eficácia e dosagem.
Outro ponto crítico é a higiene da casca. Se não for adequadamente lavada e sanitizada, a casca pode reter impurezas, resíduos de solo ou, em situações mais preocupantes, agrotóxicos e outros produtos químicos utilizados no cultivo. O consumo desses contaminantes por meio de uma infusão poderia, paradoxalmente, representar um risco à saúde em vez de um benefício. Adicionalmente, não existe um consenso estabelecido ou um protocolo padronizado sobre o “método” mais adequado de infusão do chá de casca de beterraba.
Questões fundamentais como o tempo ideal de fervura, a quantidade de cascas a ser utilizada para um determinado volume de água ou a temperatura mais eficaz para a extração de compostos não possuem respostas claras na literatura científica. A ausência de padronização impede a replicabilidade de qualquer suposto benefício e reforça a falta de credibilidade das alegações populares.
Em suma, as promessas de cura e purificação associadas ao chá de casca de beterraba nas redes sociais não encontram respaldo nas evidências científicas atuais. A ciência não confirmou os efeitos atribuídos à infusão da casca, e os riscos associados à sua preparação, como a perda de nutrientes e a possibilidade de contaminação, somam-se à ausência de um método de preparo validado.
Em virtude dessas considerações, é imperativo que indivíduos que sofram de qualquer condição de saúde ou que desejem incorporar novos elementos à sua rotina alimentar busquem sempre a orientação de profissionais médicos ou nutricionistas qualificados. A consulta especializada assegura que as escolhas de saúde sejam baseadas em informações confiáveis e seguras, evitando a substituição de tratamentos comprovados por práticas sem evidências. A saúde deve ser abordada com responsabilidade e amparo científico, priorizando sempre a segurança e a eficácia.
FAQ: Chá de Casca de Beterraba
O chá de casca de beterraba possui comprovação científica para seus benefícios?
Não, atualmente não há evidências científicas suficientes para comprovar os benefícios “milagrosos” atribuídos ao chá de casca de beterraba em redes sociais e plataformas digitais.
A beterraba em si possui benefícios à saúde?
Sim, o tubérculo e o suco da beterraba são reconhecidos por suas propriedades nutricionais, como nitratos, antioxidantes, fibras e vitaminas, que podem oferecer benefícios. No entanto, esses estudos não se aplicam diretamente à infusão da casca.
Quais são os riscos de consumir chá de casca de beterraba sem orientação?
Os riscos incluem a perda de nutrientes durante a fervura, a falta de evidências sobre a liberação de compostos benéficos pela casca fervida, a possibilidade de contaminação por impurezas ou agrotóxicos se a casca não for bem higienizada, e a ausência de um método de preparo padronizado, o que torna sua eficácia e segurança incertas.
Gestantes podem tomar chá de casca de beterraba?
Gestantes, lactantes e pessoas com condições de saúde específicas devem buscar orientação profissional antes de consumir o chá.
Para informações detalhadas e seguras sobre sua saúde e alimentação, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.
Fonte: https://saude.abril.com.br


















