Sumário
ToggleO Ministério do Comércio da China anunciou a imposição de tarifas adicionais de 55% sobre as importações de carne bovina que excederem determinadas cotas. Esta medida impactará significativamente países como o Brasil, a Austrália e os Estados Unidos, em um momento em que a indústria pecuária chinesa enfrenta um cenário de excesso de oferta interna. O anúncio foi realizado na quarta-feira, dia 31, e as novas regulamentações entrarão em vigor a partir de 1º de janeiro, estendendo-se por um período de três anos.
A decisão chinesa surge após um prolongado processo de investigação sobre as importações de carne bovina, iniciado em dezembro do ano anterior e que passou por duas prorrogações. As autoridades chinesas afirmam que a investigação não foi direcionada a nenhum país em particular, mas sim a uma avaliação abrangente do mercado para proteger os interesses de seus produtores domésticos. A implementação dessas tarifas adicionais visa estabilizar o mercado interno e garantir o sustento dos criadores de gado na China, que têm reportado prejuízos significativos.
O Sistema de Cotas e a Distribuição Geográfica
Para o ano de 2026, o Ministério do Comércio chinês estabeleceu uma cota total de importação de 2,7 milhões de toneladas métricas de carne bovina. Dentro deste volume, foi definida uma distribuição específica para os principais países exportadores, refletindo a estrutura atual do comércio global do produto. O Brasil, um dos maiores fornecedores mundiais, recebeu a maior parcela desta cota, com 41,1% do total. A Argentina segue como o segundo maior beneficiário da cota, com 19,0%, enquanto o Uruguai obteve 12,1%.
Outros países exportadores também tiveram suas cotas definidas. Para a Austrália, foi alocada uma cota de 205 mil toneladas, e para os Estados Unidos, 164 mil toneladas. Este sistema de cotas visa controlar o volume de carne bovina que entra no mercado chinês sem a aplicação da tarifa adicional de 55%, funcionando como um mecanismo para equilibrar a oferta e demanda internas. A expectativa é que o volume total da cota seja ajustado anualmente, com previsão de aumento para 2,8 milhões de toneladas métricas em 2028, demonstrando uma estratégia de longo prazo na gestão das importações.
Contexto Econômico e a Indústria Pecuária Chinesa
A imposição dessas medidas tarifárias reflete a crescente preocupação do governo chinês com a saúde financeira de sua própria indústria de criação de gado bovino. Desde 2023, o setor tem enfrentado grandes desafios e prejuízos. Diversos fatores contribuíram para essa situação desfavorável, sendo as importações um dos elementos mais citados, que, em grandes volumes, pressionaram os preços e a rentabilidade dos produtores locais. Essa pressão levou muitos criadores a tomar medidas drásticas, como o abate de animais reprodutores, uma estratégia para reduzir custos operacionais e tentar mitigar as perdas financeiras.
A situação crítica do setor levou associações da indústria de carne bovina chinesa a exercerem pressão sobre o governo. Conforme reportado pelo jornal estatal Global Times, essas associações solicitaram a imposição de medidas de salvaguarda imediatas antes do final do ano, com o objetivo de estabilizar as expectativas do mercado e proteger o sustento dos criadores nacionais. A resposta do governo, através do Ministério do Comércio, com a introdução das tarifas adicionais, alinha-se a esses pedidos e busca oferecer um alívio ao setor doméstico diante da concorrência internacional e do excesso de oferta.
Panorama Recente das Importações Chinesas de Carne Bovina
A China é um dos maiores mercados importadores de carne bovina do mundo, e os dados recentes demonstram a escala de suas operações comerciais. Em 2024, no período anterior à implementação destas novas tarifas, a China importou volumes substanciais de diversos países. O Brasil foi o principal fornecedor, com 1,34 milhão de toneladas. A Argentina contribuiu com 594.567 toneladas, enquanto a Austrália forneceu 216.050 toneladas. Outros países relevantes incluem o Uruguai, com 243.662 toneladas, a Nova Zelândia, com 150.514 toneladas, e os Estados Unidos, com 138.112 toneladas.
O volume de importações chinesas atingiu um recorde histórico no ano passado, com 2,87 milhões de toneladas métricas de carne bovina adquiridas. No entanto, o período de janeiro a novembro do ano em curso registrou uma leve desaceleração, com uma queda de 0,3% em relação ao ano anterior, totalizando 2,59 milhões de toneladas. Esta redução, embora pequena, pode indicar uma tendência que, aliada aos problemas internos de excesso de oferta, motivou a adoção das novas medidas tarifárias e de cotas. As novas regulamentações buscam, portanto, reconfigurar o cenário de importação para melhor atender às necessidades e à proteção da produção nacional chinesa.
FAQ sobre as Novas Tarifas de Carne Bovina na China
O que são as novas tarifas sobre carne bovina impostas pela China?
As novas tarifas são impostos adicionais de 55% sobre as importações de carne bovina que excederem as cotas anuais estabelecidas pelo Ministério do Comércio da China. Esta medida entrará em vigor a partir de 1º de janeiro e terá duração de três anos.
Quais países serão mais afetados pelas cotas de importação?
Países como Brasil, Austrália e Estados Unidos serão diretamente afetados. O Brasil recebeu a maior parcela da cota total para 2026, com 41,1%, seguido pela Argentina com 19,0% e Uruguai com 12,1%. Austrália e EUA também tiveram cotas específicas alocadas.
Qual o objetivo da China ao implementar estas medidas tarifárias?
O objetivo principal é proteger a indústria nacional de criação de gado bovino da China, que tem enfrentado prejuízos e um excesso de oferta interna desde 2023. As tarifas e cotas visam estabilizar o mercado, garantir o sustento dos criadores locais e controlar o volume de importações.
Mantenha-se informado sobre as dinâmicas do comércio global de commodities acompanhando nossas análises especializadas.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br


















