Alerta de Onda de Calor Extremo e Seus Riscos à Saúde

A vasta região que abrange o Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil enfrenta uma persistente onda de calor extremo, um fenômeno climático que elevou significativamente as temperaturas em oito estados, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo. Este cenário, inicialmente observado durante a semana do Natal, tem previsão de estender-se até a próxima segunda-feira, dia 29, conforme as projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A severidade da situação levou o órgão a emitir um aviso vermelho, indicativo de grande perigo, sinalizando que as temperaturas podem superar a média em mais de 5°C por um período superior a cinco dias. Este nível de alerta sublinha a alta probabilidade de riscos à vida, além de potenciais danos e acidentes decorrentes das condições climáticas adversas.

A Fenomenologia da Onda de Calor e Suas Causas

O aviso vermelho do Inmet não é apenas um comunicado, mas um reconhecimento de uma emergência climática em curso. A definição de “grande perigo” implica que a população nas áreas afetadas – Rio de Janeiro, São Paulo e outros seis estados nas macrorregiões do Sudeste, Centro-Oeste e Sul – está sujeita a um ambiente onde o calor extremo pode ter consequências diretas e severas. A elevação de 5°C acima da média histórica por mais de cinco dias consecutivos gera uma sobrecarga ambiental que impacta diretamente a saúde pública e a infraestrutura.

A causa primordial para este calor intenso é atribuída às mudanças climáticas induzidas pela atividade humana. Este fator de longo prazo se manifesta em eventos meteorológicos mais frequentes e intensos. Além disso, a ocorrência de um bloqueio atmosférico, conforme noticiado em outras informações correlatas, contribui para a estagnação do ar quente sobre as regiões, impedindo a dissipação do calor e perpetuando as altas temperaturas. A combinação desses elementos cria um cenário propício para a ocorrência de episódios de calor extremo, cuja recorrência e intensidade exigem medidas adaptativas e preventivas contínuas.

Impacto Fisiológico do Calor Extremo no Corpo Humano

O Dr. Luiz Fernando Penna, clínico geral e coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, enfatiza a seriedade dos impactos do calor extremo na saúde humana. Segundo o especialista, muitas pessoas subestimam os riscos, considerando o calor como um mero desconforto. Contudo, o Dr. Penna adverte que as consequências podem variar desde quedas de pressão arterial até a falência térmica do corpo, uma condição de emergência médica.

Quando exposto a temperaturas muito elevadas, o organismo humano opera em seu limite. Para tentar manter a temperatura interna estável, o corpo intensifica a transpiração (sudorese), acelera os batimentos cardíacos e promove a dilatação dos vasos sanguíneos. Esses mecanismos de termorregulação são vitais, mas possuem um ponto de falha. Se o calor persistir e a capacidade do corpo de se resfriar for superada, instala-se a falência térmica. Esta emergência é caracterizada por confusão mental, pele quente e seca, e uma temperatura corporal que excede os 40°C. O Dr. Penna ressalta que, ao identificar esses sinais, é imperativo buscar atendimento médico imediato, pois a condição pode evoluir rapidamente para um colapso.

Agravamento de Condições Crônicas e Efeito de Medicamentos

A exposição ao calor extremo representa uma ameaça particular para indivíduos que convivem com doenças crônicas. Condições como hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e doença renal crônica podem ser severamente agravadas. O aumento da carga de trabalho para o sistema cardiovascular e renal, imposto pelo esforço para dissipar o calor, pode descompensar quadros clínicos estáveis e levar a complicações graves.

Além disso, pessoas que utilizam certos tipos de medicamentos necessitam de atenção redobrada. Diuréticos, anti-hipertensivos, antidepressivos, anticolinérgicos e antipsicóticos podem alterar a capacidade natural do corpo de regular a temperatura. Alguns desses fármacos podem aumentar a dilatação vascular, enquanto outros podem interferir nos mecanismos de sudorese ou na percepção do calor, tornando o indivíduo mais vulnerável. O Dr. Penna alerta que, para quem já possui uma condição de base, o calor impõe uma sobrecarga perigosa, que exige vigilância constante e medidas preventivas.

Outros Efeitos do Calor na Qualidade de Vida

O calor intenso não afeta apenas a saúde física; ele também interfere significativamente na qualidade de vida diária. As altas temperaturas prejudicam a qualidade do sono, levando à insônia e a um descanso inadequado. A privação de sono, por sua vez, impacta o humor, aumentando a irritabilidade e diminuindo a produtividade. A capacidade cognitiva, incluindo a memória e a agilidade na tomada de decisões, também pode ser comprometida, afetando o desempenho em atividades cotidianas e profissionais.

Estratégias de Proteção e Prevenção Durante o Calor Intenso

Diante dos riscos que uma apresenta, a adoção de medidas preventivas é fundamental. Não basta apenas hidratar-se; é essencial proteger-se ativamente do calor. Entre as recomendações mais importantes, destacam-se evitar a exposição direta ao sol nos horários de pico, geralmente entre 10h e 16h, quando a radiação solar é mais intensa. O uso de roupas leves e de cores claras é aconselhável, pois ajudam a refletir o calor e permitem que a pele respire. Priorizar ambientes com boa ventilação e abster-se de exercícios físicos extenuantes durante as horas mais quentes são outras orientações cruciais.

Para trabalhadores que não podem evitar a exposição, como os da construção civil, entregadores e coletores de lixo, é vital que façam pausas frequentes em locais frescos e sombreados, especialmente nos períodos de maior calor. O Dr. Penna adverte que não existe uma adaptação completa para ondas de calor extremas e repetidas. Ele salienta que, acima de 35°C com alta umidade, o corpo humano simplesmente não consegue funcionar como deveria, tornando a prevenção a melhor defesa. Reconhecer os sinais precoces de falência térmica é um passo crucial para evitar um colapso e buscar ajuda profissional.

Estudos Comprovam Relação Entre Calor e Mortalidade

A relação entre altas temperaturas e aumento da mortalidade tem sido objeto de pesquisa aprofundada. No Rio de Janeiro, um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), através da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), em fevereiro de 2025, comprovou esta correlação. A análise, que abrangeu mais de 800 mil óbitos ocorridos entre 2012 e 2024, indicou que o risco de mortalidade é significativamente maior para idosos e para indivíduos com condições preexistentes.

Entre os grupos mais vulneráveis estão pessoas com diabetes, hipertensão, doença de Alzheimer, insuficiência renal e infecções urinárias. O pesquisador João Henrique de Araujo, envolvido no estudo, observou que, enquanto a maioria das pesquisas sobre calor e mortalidade foca em doenças cardiovasculares e respiratórias, os achados da Fiocruz expandem essa compreensão. Ele destaca que há evidências de efeitos também para doenças metabólicas, do trato urinário e condições neurodegenerativas, como o Alzheimer, sublinhando a amplitude do impacto do calor na saúde pública. A é essencial para guiar políticas de prevenção.

Recomendações Detalhadas para Lidar com o Calor

Para auxiliar a população a enfrentar as ondas de calor de forma segura, o Unicef e o Hospital Sírio-Libanês elaboraram um conjunto de recomendações práticas.

Antes de Planejar Suas Atividades: É fundamental verificar a previsão do tempo para saber a intensidade do calor e da umidade esperados para o dia. Tenha sempre à mão informações de contato de serviços de emergência, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que pode ser acionado pelo número 192.

Mantenha Sua Casa Fresca: Durante as horas mais quentes do dia, procure proteger o interior da residência do calor. Mantenha portas, janelas e cortinas fechadas para bloquear a entrada de luz solar direta. À noite, quando a temperatura externa tende a baixar, abra as janelas para permitir a circulação do ar e refrescar o ambiente. Utilize ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado, se disponíveis, mas com moderação para evitar o choque térmico.

Proteja-se do Calor: Evite sair de casa nos horários de maior incidência solar. Quando a saída for inevitável, utilize protetor solar, chapéus e guarda-chuvas para minimizar a exposição direta. Evite permanecer em ambientes fechados e sem ventilação adequada, pois o calor pode se acumular nesses locais, tornando-os mais quentes do que o exterior.

Mantenha-se Fresco e Hidratado: Beba água em abundância, mesmo que não sinta sede. É crucial evitar o consumo de bebidas alcoólicas, pois, ao contrário da crença popular de que relaxam, elas aceleram o processo de desidratação do corpo. Vista roupas feitas de tecidos respiráveis e de cores claras, que ajudam a ventilar o corpo e a refletir o calor. Tenha cautela com banhos excessivamente gelados, que podem provocar um efeito rebote, estimulando o corpo a aumentar a produção de calor em uma tentativa de compensar a mudança brusca de temperatura.

Mantenha-se informado sobre as condições meteorológicas e siga as orientações de saúde para proteger-se durante períodos de calor intenso.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Q1: O que caracteriza um aviso vermelho de onda de calor?
R: Um aviso vermelho, emitido pelo Inmet, caracteriza uma situação de grande perigo, onde as temperaturas excedem a média em mais de 5°C por um período superior a cinco dias, indicando alta probabilidade de riscos à vida, danos e acidentes.

Q2: Quais são os principais sintomas da falência térmica do corpo?
R: A falência térmica do corpo, uma emergência médica, é caracterizada por confusão mental, pele quente e seca, e uma temperatura corporal acima de 40°C. Nestes casos, o atendimento médico imediato é essencial.

Q3: Como o calor extremo afeta pessoas com doenças crônicas?
R: O calor extremo impõe uma sobrecarga perigosa ao corpo, podendo agravar quadros de doenças crônicas como hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, DPOC e doença renal crônica. Certos medicamentos também podem descontrolar a regulação térmica natural do corpo, aumentando o risco.

Q4: Quais as recomendações essenciais para se proteger de uma onda de calor?
R: As recomendações incluem hidratar-se constantemente, evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h, usar roupas leves e claras, priorizar ambientes ventilados, não fazer exercícios físicos intensos nos horários quentes e, para trabalhadores expostos, fazer pausas frequentes.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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