Sumário
ToggleA Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) implementou uma estratégia para avaliar a eficácia de sua política de ação afirmativa, através da criação de grupos de trabalho focados no acompanhamento dos egressos. Segundo o sociólogo Luiz Augusto Campos, essa iniciativa é crucial para mensurar o real impacto da política de cotas, especialmente no que diz respeito à inserção dos ex-alunos no mercado de trabalho.
Acompanhamento de Egressos: Ferramenta Essencial para Avaliar o Impacto das Cotas
Campos, um dos organizadores do livro “Impacto das Cotas: Duas Décadas de Ação Afirmativa no Ensino Superior Brasileiro”, destaca que a Lei de Cotas deve ser vista como um instrumento para reduzir as desigualdades no mercado de trabalho. Para ele, o sucesso da política de cotas está intrinsecamente ligado aos resultados obtidos pelos egressos no mercado profissional. A iniciativa da Uerj de criar grupos de acompanhamento é, portanto, um passo fundamental para entender se a política está cumprindo seu objetivo principal.
A análise das trajetórias dos egressos permitirá identificar se as cotas estão gerando os impactos desejados fora do ambiente universitário. Caso contrário, a política pública pode ser considerada um fracasso, segundo o sociólogo.
Desafios na Pós-Graduação e a Necessidade de Revisão da Lei Estadual
Além de avaliar o impacto das cotas na graduação, Campos aponta para a necessidade de atualização da lei estadual que rege o ingresso na pós-graduação da Uerj. Diferentemente de outras universidades federais, a Uerj adota um critério socioeconômico rigoroso, limitando o ingresso de candidatos com renda familiar bruta per capita de até R$ 2.277.
O Impacto do Critério Socioeconômico na Pós-Graduação
Esse critério, segundo Campos, tem se mostrado um obstáculo para o acesso de estudantes carentes à pós-graduação. Ele argumenta que um estudante considerado carente dificilmente consegue chegar ao mestrado ou doutorado, e que a obtenção de uma bolsa de estudos o exclui automaticamente da condição de carência.
Os cotistas egressos da graduação, durante um encontro realizado na Uerj em novembro, defenderam a revisão do critério socioeconômico para ampliar o acesso de pessoas pretas e pardas ao ensino superior.
Dados do CGEE Revelam Desigualdade na Titulação
Um levantamento do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) revela que pessoas pretas representam apenas 4,1% dos mestres e 3,4% dos doutores no Brasil. Pardos, por sua vez, somam 16,7% e 14,9%, respectivamente. Indígenas correspondem a apenas 0,23% das titulações de mestrado e 0,3% das de doutorado. Entre 1996 e 2021, a maioria dos títulos de mestrado (49,5%) e doutorado (57,8%) foram obtidos por pessoas brancas.
Autonomia Universitária como Ferramenta para Flexibilizar as Restrições
A Lei 8.121, de 2018, que estabeleceu a programação de ações afirmativas na Uerj e o corte socioeconômico, só poderá ser revista em 2028. Até lá, Campos defende que as universidades utilizem sua autonomia para flexibilizar as restrições nos editais de ingresso. Ele ressalta que a judicialização dos processos de ingresso em cursos de mestrado e doutorado é um risco para a universidade, e que uma lei mais flexível em relação aos limites socioeconômicos seria ideal.
Acompanhar os egressos da política de ação afirmativa e revisar os critérios de acesso à pós-graduação são medidas essenciais para garantir que a Uerj continue a promover a inclusão e a reduzir as desigualdades no ensino superior.
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Perguntas Frequentes Sobre Cotas na Uerj
Qual o objetivo da criação de grupos de trabalho para acompanhar os egressos da Uerj?
O objetivo é avaliar o impacto da política de ação afirmativa da Uerj, especialmente no que diz respeito à inserção dos ex-alunos no mercado de trabalho e ao cumprimento do objetivo de reduzir as desigualdades.
Por que o critério socioeconômico na pós-graduação da Uerj é considerado um obstáculo?
O critério é considerado um obstáculo porque limita o acesso de estudantes carentes à pós-graduação, já que a renda familiar per capita exigida é muito baixa e a obtenção de uma bolsa de estudos exclui o candidato da condição de carência.
O que pode ser feito para flexibilizar as restrições de acesso à pós-graduação na Uerj antes de 2028?
Campos defende que as universidades utilizem sua autonomia para flexibilizar as restrições nos editais de ingresso, já que a Lei 8.121 só poderá ser revista em 2028.


















