Sumário
ToggleA economia do Reino Unido registrou uma desaceleração no terceiro trimestre do ano, período compreendido entre julho e setembro, conforme revelado por dados oficiais. Durante este intervalo, as famílias britânicas experimentaram uma redução em suas taxas de poupança, ao mesmo tempo em que incrementaram seus níveis de consumo, mesmo diante de um cenário de impostos mais elevados e inflação.
O Escritório para Estatísticas Nacionais (ONS) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) britânico expandiu-se apenas 0,1% no terceiro trimestre. Este resultado alinhou-se tanto com a estimativa preliminar divulgada pelo próprio ONS quanto com as projeções dos economistas consultados por uma agência de notícias internacional. A revisão do crescimento econômico para o trimestre anterior, de abril a junho, também indicou uma desaceleração, passando de uma estimativa inicial de 0,3% para 0,2%.
Pressão Fiscal e Redução da Capacidade de Poupança
O relatório detalhou que o índice de poupança das famílias britânicas sofreu uma queda de 0,7 ponto percentual, atingindo 9,5%. Este é o patamar mais baixo registrado em mais de um ano, sinalizando uma crescente pressão sobre as finanças domésticas. A principal causa apontada para essa retração na poupança foi a diminuição da renda real disponível das famílias. Os aumentos de impostos implementados superaram o crescimento da renda, um fator agravado pelos efeitos da inflação.
Essa combinação de impostos mais altos e poder de compra corroído pela inflação resultou em uma menor capacidade das famílias de destinar recursos para a poupança. A despeito dessa pressão sobre a renda real, o consumo das famílias apresentou um crescimento de 0,3% em relação ao segundo trimestre, quando havia estagnado. Este foi o avanço trimestral mais rápido no consumo em um período de doze meses, sugerindo que, mesmo com menor capacidade de poupança, os britânicos optaram por manter ou aumentar seus gastos.
Impacto das Políticas Fiscais e Incerta Perspectiva Futura
A Ministra das Finanças, Rachel Reeves, implementou aumentos de impostos em seu primeiro orçamento para o ano de 2024. As medidas incluíram taxações sobre certas modalidades de renda patrimonial. Contudo, a maior parte do encargo fiscal recaiu sobre os empregadores, em vez de diretamente sobre as pessoas físicas. Este movimento fiscal reflete uma tentativa de equilibrar as contas públicas em um ambiente econômico desafiador.
Apesar do cenário atual de desaceleração, o Reino Unido destacou-se no primeiro semestre de 2025 como uma das economias de crescimento mais acelerado entre os países do G7, equiparando-se ao Japão. No entanto, a trajetória econômica mudou significativamente desde então. Uma das razões para essa desaceleração acentuada foi a prolongada incerteza sobre possíveis novos aumentos de impostos, que foram objeto de debate antes do anúncio do segundo orçamento de Reeves, ocorrido em 26 de novembro. Essa falta de clareza pode ter influenciado decisões de investimento e consumo, contribuindo para a moderação do ritmo econômico.
Na semana anterior à divulgação desses dados, o Banco da Inglaterra havia expressado suas expectativas para o último trimestre do ano, de outubro a dezembro. A instituição projetou um crescimento zero do PIB para esse período, indicando uma estagnação no final do ano. Contudo, o Banco da Inglaterra também ressaltou que o ritmo subjacente do crescimento econômico do país se mantém em torno de 0,2% por trimestre, sugerindo uma base de crescimento mais estável a longo prazo.
Análise da Composição do Crescimento
Alex Kerr, economista do Reino Unido na Capital Economics, analisou a composição do crescimento no terceiro trimestre. De acordo com Kerr, a economia mostrou-se “um pouco menos dependente dos gastos do governo” do que o indicado na estimativa inicial. Essa observação é relevante para entender as forças motrizes por trás do crescimento e se ele é impulsionado por setores privados ou por estímulos governamentais.
Apesar da menor dependência dos gastos governamentais, os dados gerais divulgados pelo ONS confirmam a desaceleração da economia britânica após um início robusto em 2025. A Capital Economics, através de seu economista, prevê um crescimento de apenas 1,0% para o Reino Unido no próximo ano. Esta projeção representa uma queda em comparação com a estimativa de 1,4% de crescimento para o ano corrente, reforçando a expectativa de um cenário econômico mais contido em 2026. frequentemente oferecem comparações úteis entre as principais economias globais.
A conjuntura atual coloca as famílias britânicas em uma posição de menor segurança financeira devido à redução da poupança e ao aumento da pressão fiscal. A atenção se volta agora para as próximas medidas do governo e as políticas do Banco da Inglaterra para tentar estabilizar a economia e fomentar um crescimento sustentável, que possa aliviar o ônus sobre o consumidor. Acompanhar a evolução dos indicadores econômicos, como o Produto Interno Bruto (PIB), é fundamental para compreender a saúde de uma nação.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual foi a principal mudança no comportamento financeiro das famílias britânicas no terceiro trimestre?
As famílias britânicas economizaram menos, com o índice de poupança caindo para 9,5% (o menor em mais de um ano), enquanto, simultaneamente, aumentaram seus gastos de consumo em 0,3% em relação ao trimestre anterior.
2. Quais fatores contribuíram para a queda na poupança das famílias?
A queda na poupança foi atribuída principalmente ao impacto de impostos mais altos, que superaram o crescimento da renda disponível real das famílias, juntamente com o efeito da inflação.
3. Como o PIB do Reino Unido se comportou no terceiro trimestre e em comparação com o trimestre anterior?
O PIB do Reino Unido cresceu 0,1% no terceiro trimestre. Para o segundo trimestre, a estimativa foi revisada para baixo, passando de 0,3% para 0,2% de crescimento, confirmando uma desaceleração geral.
4. Qual foi o papel da Ministra das Finanças, Rachel Reeves, no contexto fiscal recente?
Rachel Reeves aumentou os impostos em seu primeiro orçamento para 2024, incluindo taxas sobre certas rendas patrimoniais. A maior parte do ônus fiscal recaiu sobre os empregadores, não sobre as pessoas físicas.
Fonte: https://www.infomoney.com.br



















