Pm entra armada em escola após pai reclamar de desenho de orixá

Polícia Militar de São Paulo apura a conduta de agentes que entraram armados em uma escola municipal após uma queixa de um pai sobre um desenho de orixá feito pela filha. O caso, ocorrido na tarde da última quarta-feira, envolveu quatro policiais militares que se dirigiram à Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, no Butantã, depois de serem acionados pelo pai da aluna.

O pai alegou que sua filha estaria sendo forçada a participar de aulas sobre religiões africanas. No dia anterior, ele já havia demonstrado sua insatisfação na escola, chegando a retirar do mural um desenho de Iansã feito pela filha.

Os policiais permaneceram na EMEI por mais de uma hora, saindo por volta das 17h10 acompanhados pelo pai da aluna. A diretora da escola, Aline Aparecida Nogueira, declarou que a instituição “não trabalha com doutrina religiosa” e que o currículo é focado em uma abordagem antirracista. Ela relatou ter se sentido “coagida e interpelada pela equipe” durante cerca de 20 minutos.

O incidente gerou indignação entre pais de alunos, que se ofereceram para testemunhar sobre o ocorrido.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Militar instaurou uma investigação sobre a conduta da equipe que atendeu à ocorrência, incluindo a análise de imagens das câmeras corporais dos agentes. A secretaria também informou que a professora da escola registrou um boletim de ocorrência contra o pai da estudante por ameaça.

A Secretaria Municipal de Educação também se pronunciou, esclarecendo que o pai foi informado de que o trabalho da filha fazia parte de uma produção coletiva e que a atividade está integrada às propostas pedagógicas da escola, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena dentro do Currículo da Cidade de São Paulo.

O Sindicato dos Profissionais de Educação manifestou apoio à equipe da EMEI Antonio Bento, afirmando que a entrada dos policiais na unidade causou constrangimento, intimidação e abalo emocional na equipe escolar. O sindicato ressaltou que a atividade desenvolvida tem respaldo pedagógico e repudiou qualquer violação à autonomia pedagógica, qualquer forma de intimidação aos profissionais da educação e qualquer situação que coloque em risco a segurança física e emocional de educadores e estudantes. A entidade pede a apuração dos fatos.

Deputados acionaram o Ministério da Igualdade Racial para acompanhar o caso.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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