Semaglutida Oral Falha em Testes para Alzheimer em Estágios Iniciais

Estudos clínicos recentes, denominados EVOKE e EVOKE+, conduzidos pela empresa farmacêutica Novo Nordisk, trouxeram resultados desanimadores em relação ao uso da semaglutida oral como um tratamento para o Alzheimer em estágios iniciais. A pesquisa, cujos resultados foram apresentados em San Diego, tinha como objetivo investigar se a semaglutida, conhecida por seu uso no tratamento de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares e renais, poderia também retardar a progressão do Alzheimer.

Detalhes dos Estudos EVOKE e EVOKE+

Os estudos envolveram um total de 3.808 participantes, com uma média de idade de 72 anos. Todos os participantes apresentavam diagnóstico de comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer em estágio inicial, caracterizados por sintomas iniciais de perda de memória, mas sem um quadro de demência totalmente estabelecido. Durante o estudo, os participantes receberam semaglutida oral em doses de até 14 mg ou um placebo, e foram acompanhados por um período de dois anos.

A escolha da semaglutida para o estudo foi motivada por evidências anteriores que sugeriam que o medicamento poderia reduzir a inflamação no sistema nervoso, um dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento do Alzheimer. Além disso, a semaglutida é utilizada no tratamento de condições como obesidade, hipertensão e diabetes, que são consideradas fatores de risco para o Alzheimer. A expectativa era que, ao tratar esses fatores de risco, a semaglutida pudesse exercer um efeito protetor sobre o cérebro.

Características dos Participantes

Entre os participantes do estudo, aproximadamente metade apresentava um Índice de Massa Corporal (IMC) entre 18,5 e 25, considerado normal. Cerca de 35% estavam com sobrepeso e 15% com obesidade. Apenas 13% dos participantes tinham diagnóstico de diabetes tipo 2. Adicionalmente, aproximadamente metade dos pacientes já estava em tratamento com medicamentos para Alzheimer, como donepezila e memantina.

Resultados Desapontadores

Contrariando as expectativas, os resultados dos estudos não demonstraram nenhum benefício clínico significativo com o uso da semaglutida em comparação com o placebo. Não foram observadas diferenças na progressão dos sintomas de perda de memória, atenção, raciocínio e funcionalidade. Além disso, o uso da semaglutida não teve impacto no tempo até a progressão para demência.

Apesar da ausência de melhora clínica, os estudos revelaram que a semaglutida promoveu melhorias em alguns marcadores laboratoriais de inflamação e neurodegeneração, detectados em análises de sangue e líquor. No entanto, essas melhorias laboratoriais não se traduziram em benefícios clínicos perceptíveis para os pacientes.

Segurança e Efeitos Colaterais

O uso da semaglutida foi considerado seguro para a população idosa participante do estudo. No entanto, uma parcela significativa dos participantes, 44%, apresentou algum tipo de efeito adverso, e 15,5% interromperam o uso do medicamento devido a esses efeitos. Outros 22,6% precisaram reduzir a dose da semaglutida. Os efeitos colaterais mais comuns relatados foram perda de apetite, náuseas, perda de peso e diarreia.

Em relação ao peso corporal, os estudos demonstraram que a semaglutida promoveu uma perda de peso significativa nos participantes. Aqueles com IMC entre 25 e 30 perderam, em média, 6,5% do peso em dois anos, enquanto os participantes com IMC acima de 30 perderam 8,6%. Mesmo aqueles com peso normal (IMC entre 18,5 e 25) apresentaram uma perda de peso de 4,5%.

Implicações dos Resultados

Os resultados dos estudos EVOKE e EVOKE+ indicam que a semaglutida não é eficaz na proteção contra o Alzheimer, pelo menos nos estágios iniciais da doença. Embora o medicamento tenha demonstrado melhorias em alguns marcadores biológicos, esses benefícios não se traduziram em melhorias cognitivas ou funcionais para os pacientes.

Esses resultados não invalidam o uso da semaglutida no tratamento da obesidade e do diabetes, que continuam sendo fatores de risco importantes para diversas doenças. No entanto, os estudos reforçam a importância de realizar testes clínicos rigorosos para avaliar a eficácia de um medicamento antes de sua recomendação para uso em larga escala.

Apesar do resultado negativo, a pesquisa contribui para o avanço do conhecimento científico sobre o Alzheimer e a busca por novas abordagens terapêuticas. A ciência, por vezes, apresenta resultados que desafiam as expectativas, e é por meio de estudos clínicos bem conduzidos que se constrói a medicina baseada em evidências.

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FAQ – Perguntas Frequentes Sobre Semaglutida e Alzheimer

1. A semaglutida pode prevenir o Alzheimer?

Os estudos EVOKE e EVOKE+ não demonstraram que a semaglutida é eficaz na prevenção do Alzheimer. Os resultados indicaram que o medicamento não promoveu melhorias cognitivas ou funcionais em pacientes com comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer em estágio inicial.

2. Quais são os efeitos colaterais mais comuns da semaglutida?

Os efeitos colaterais mais comuns relatados nos estudos foram perda de apetite, náuseas, perda de peso e diarreia. Uma parcela significativa dos participantes apresentou algum tipo de efeito adverso, e alguns precisaram interromper o uso do medicamento ou reduzir a dose.

3. A semaglutida continua sendo uma opção de tratamento para obesidade e diabetes?

Sim, os resultados negativos em relação ao Alzheimer não invalidam o uso da semaglutida no tratamento da obesidade e do diabetes. O medicamento continua sendo uma opção terapêutica para essas condições, que são consideradas fatores de risco para diversas doenças.

Fonte: https://saude.abril.com.br

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