Investidores pedem peso flexível para reerguer a argentina

Investidores estão pressionando o governo argentino a adotar um regime cambial mais flexível, argumentando que um peso dinâmico seria crucial para fortalecer as reservas do país e atrair investimentos estrangeiros. Essa pressão surge mesmo com o governo, liderado pelo presidente Javier Milei e pelo Ministro da Economia, Luis Caputo, insistindo na manutenção do sistema atual de ajustes diários do peso dentro de uma banda.

Milei e Caputo reafirmaram seu compromisso de defender essa estrutura, com a expectativa de que a política cambial permaneça inalterada até as eleições presidenciais de 2027, quando Milei deverá buscar a reeleição.

No entanto, gestores de fundos expressam preocupação de que a relutância em permitir uma maior flutuação do peso possa limitar o crescimento econômico e a entrada de moeda estrangeira, justamente no momento em que a Argentina busca consolidar a estabilidade após um desempenho eleitoral acima do esperado por parte do governo.

Kathryn Exum, da Gramercy, destaca a necessidade de algum tipo de ajuste para a construção orgânica de reservas cambiais até 2026. Ela sugere que uma ampliação gradual da banda oficial, combinada com um programa formal de acumulação de reservas, seria bem recebida pelos mercados.

A pressão sobre o peso diminuiu recentemente, embora a moeda ainda seja negociada próxima ao limite inferior da banda oficial. Contratos futuros indicam que o mercado espera um ajuste cambial nos próximos 12 meses.

Christine Reed, da Ninety One, observa que muitos investidores acreditavam que a fraqueza anterior da moeda era motivada pelo receio de um desempenho forte da oposição nas eleições, o que poderia colocar em risco a agenda de austeridade de Milei. No entanto, os dados sugerem que a moeda já estava sobrevalorizada antes mesmo de questões políticas se tornarem proeminentes.

Reed avalia que as chances de uma desvalorização pós-eleitoral foram superestimadas, e que a governabilidade e a probabilidade de reformas fiscais são mais elevadas do que o esperado. Ela ressalta, contudo, que o peso continua marginalmente caro e que o custo de tornar a taxa de câmbio mais flexível seria baixo.

Um fluxo paralelo de apoio cambial surge do reengajamento da Argentina com os mercados de dívida internacionais. Empresas argentinas levantaram mais de US$ 1,7 bilhão em títulos globais nas últimas semanas, um movimento que pode gerar oferta de dólares no mercado doméstico.

A estratégia governamental também conta com uma linha de swap de US$ 20 bilhões do Tesouro dos EUA, permitindo que o banco central venda dólares no mercado à vista e estabilize o peso. Esse apoio, juntamente com promessas de investimentos, demonstra o apoio dos EUA ao governo.

Jared Lou, da William Blair, ressalta que, embora esses apoios melhorem a confiança no curto prazo, os investidores ainda consideram fundamental uma mudança estrutural. Ele argumenta que permitir uma depreciação mais rápida do peso ajudaria a aliviar a pressão sobre as reservas.

Investidores alertam que a manutenção de um regime cambial rígido poderia impedir um investimento estrangeiro direto mais amplo em outros setores além das commodities. A maioria dos analistas espera que o governo mantenha a estrutura atual até o final do ano e revise seus parâmetros em 2026.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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