Sumário
ToggleCongresso e Governo Lula em Crise: Orçamento e Indicações Ameaçados
Escalada da Tensão entre Poderes
A relação entre o Congresso Nacional e o governo do presidente Lula (PT) enfrenta um momento de grande tensão, evidenciada pela ausência dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre, no evento de sanção da isenção do Imposto de Renda. Essa crise ameaça a aprovação de matérias cruciais para o governo, incluindo a elaboração do Orçamento de 2026, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a confirmação de Jorge Messias como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Vetos Presidenciais em Pauta
Davi Alcolumbre agendou uma sessão do Congresso para analisar vetos presidenciais, e nos bastidores, a expectativa é de que o governo Lula sofra uma nova derrota expressiva. O embate entre o Congresso e o Palácio do Planalto também relegou a um segundo plano a discussão sobre a possível anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com uma reação considerada tímida por parte da direita.
Distanciamento de Figuras-Chave
Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que antes eram importantes aliados do governo no Legislativo, têm se distanciado do Palácio do Planalto. Alcolumbre, em particular, declarou seu descontentamento com a indicação de Jorge Messias para o STF em vez do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Além disso, tem buscado apoio de outros senadores para rejeitar a indicação de Lula e aprovou um projeto que concede aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, gerando um impacto bilionário nas contas públicas.
Governo Minimiza Insatisfação
Apesar do evidente descontentamento, membros do governo tentam minimizar a situação. Afirmam que Alcolumbre poderia ter adotado uma postura ainda mais crítica e que Lula pretende conversar com o presidente do Senado antes da votação de Messias. Há um consenso de que um rompimento não seria benéfico para nenhuma das partes.
Rompimento na Câmara dos Deputados
Na Câmara dos Deputados, Hugo Motta rompeu publicamente com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), após críticas à escolha do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de Tarcísio de Freitas, como relator do projeto antifacção, uma iniciativa importante para o governo na área da segurança pública. Motta assegurou que o rompimento era apenas com o líder do PT e não com toda a bancada ou com o governo, mas admitiu que a relação com o Palácio do Planalto também enfrenta dificuldades, principalmente devido ao não cumprimento de acordos, como a demora na liberação de emendas parlamentares e na nomeação de aliados para cargos.
Acusações contra Ministros
O grupo de Hugo Motta acusa o governo de promover ataques à Câmara junto à opinião pública. Nos bastidores, aliados do presidente da Casa criticam os ministros Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Fernando Haddad (Fazenda) e Sidônio Palmeira (Secom). Motta teria se queixado de declarações de Gleisi e Haddad sobre a tramitação do projeto de lei antifacção, considerando-as desleais e desonestas. Ele também suspeita que a Secom esteja por trás dos ataques que o Congresso tem sofrido nas redes sociais.
Dificuldades na Aprovação de Medidas
Além do Orçamento e de outras medidas necessárias para o equilíbrio das contas públicas, como o corte de subsídios tributários para empresas, a cúpula da Câmara sinaliza que poderá dificultar a tramitação da medida provisória que visa estimular a instalação de data centers no Brasil. Integrantes do governo afirmam que a desconfiança e o descontentamento são mútuos, mas defendem que os embates políticos não devem prejudicar as relações institucionais entre os dois Poderes.
Necessidade de Diálogo
Um interlocutor próximo a Lula defende que é fundamental distensionar o clima com o Congresso e que o presidente intensifique o diálogo com os parlamentares. No entanto, aliados do presidente argumentam que as decisões de Hugo Motta têm motivações políticas, como a escolha de um relator de oposição para matérias prioritárias para o governo e a inclusão em pauta de projetos contrários aos interesses do Palácio do Planalto. Eles ressaltam que as ações do governo têm o aval e o incentivo do próprio Lula.
Fortalecimento de Hugo Motta
Para fortalecer sua posição diante das pressões do governo e da oposição, Hugo Motta formou um bloco parlamentar com 275 deputados, representando a maioria da Casa. Esse bloco, composto por oito partidos, como PSD, União Brasil, PP, MDB e Republicanos, visa garantir a governabilidade de Motta e é visto como um passo para sua reeleição em 2027. O tamanho do bloco permite que ele apresente e aprove requerimentos de urgência sem depender do apoio da esquerda ou da direita, garantindo uma maioria que pode se aliar tanto ao governo quanto à oposição.
Anistia de Bolsonaro Travada
Os apoiadores de Bolsonaro tentam aproveitar o momento e a prisão do ex-presidente para retomar a discussão sobre a anistia, mas o projeto segue sem avançar. Hugo Motta só aceita levar o texto ao plenário se ele se limitar à redução de penas, enquanto o PL insiste na anistia completa por meio de votação no plenário. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), reconhece o impasse na votação da anistia.
Reação Tímida da Direita
A reação dos bolsonaristas no Congresso indica uma perda de força desse grupo político. Em agosto, deputados e senadores que apoiam Bolsonaro protestaram contra a prisão domiciliar do ex-presidente, mas a situação atual é diferente. Após a prisão preventiva de Bolsonaro, poucos senadores o defenderam na tribuna, e na Câmara, as manifestações se restringiram a discursos no plenário, sem grandes protestos ou obstrução de votações. Sóstenes Cavalcante minimiza a reação tímida da direita, defendendo uma atuação mais estratégica e menos radical.
A crise entre o Congresso e o governo Lula, somada à situação de Bolsonaro, cria um cenário de incertezas e desafios para a governabilidade e a aprovação de medidas importantes para o país.
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FAQ:
Por que a ausência dos presidentes da Câmara e do Senado é significativa?
A ausência de Hugo Motta e Davi Alcolumbre no evento de sanção da isenção do Imposto de Renda simboliza o distanciamento e a tensão crescente entre o Congresso e o governo Lula, refletindo um possível enfraquecimento do apoio legislativo ao Palácio do Planalto.
Quais são as principais matérias ameaçadas pela crise?
As principais matérias ameaçadas incluem a elaboração do Orçamento de 2026, que definirá os gastos e programas no ano eleitoral, a PEC da Segurança Pública e a aprovação de Jorge Messias para a vaga no STF.
Qual o impacto da prisão de Jair Bolsonaro no cenário político?
A prisão de Jair Bolsonaro, embora tenha gerado alguma reação por parte de seus apoiadores, não desencadeou grandes protestos ou obstruções no Congresso, indicando uma possível perda de força do grupo político bolsonarista e um foco maior em estratégias menos radicais.

















