Sumário
ToggleReafirmação da Doutrina Monroe pelos EUA: Impacto na América Latina
Nos Estados Unidos, o governo lançou a Estratégia Nacional de Segurança, um documento que reacende a Doutrina Monroe e enfatiza a liderança de Washington em todo o Hemisfério Ocidental, englobando as Américas do Sul, Central e do Norte. A Casa Branca declara que os Estados Unidos vão restaurar e aplicar a Doutrina Monroe, visando restabelecer sua proeminência e proteger tanto o país quanto o acesso a áreas estratégicas.
A Nova Estratégia e o Recado à China
A visão de Alexandre Pires, especialista em relações internacionais do Ibmec São Paulo, é de que essa nova diretriz é um sinal direcionado à China, refletindo uma reação à crescente influência econômica chinesa na região. Este documento servirá como guia para a política externa dos EUA sob a administração de Donald Trump. O governo Trump expressa a intenção de negar a adversários externos a capacidade de instalar forças ou capacidades ameaçadoras no Hemisfério, ou de controlar ativos de importância estratégica.
O que é a Doutrina Monroe?
A Doutrina Monroe, originada em 1823, surgiu em um período onde os EUA estavam ascendendo como uma potência global. Ela estabelece que a “América é para os americanos”, desafiando as potências europeias em termos de influência econômica, militar e cultural na América Latina. O governo dos EUA pretende aplicar um “Corolário Trump” à Doutrina Monroe, reinterpretando o projeto original do século XIX para expandir a influência americana no continente.
Objetivos e Expulsão de Empresas Estrangeiras
A nova política tem como objetivos estabelecer ou ampliar o acesso em locais de importância estratégica e envidar esforços para remover empresas estrangeiras envolvidas na construção de infraestrutura na região.
A China no Centro da Estratégia Americana
Alexandre Pires salienta que o esforço dos EUA visa enfraquecer a presença da China na América Latina. Ele destaca ações como a retomada indireta do controle do Canal do Panamá, a crescente mobilização militar no Caribe para pressionar a Venezuela, aliada da Rússia e da China, e as pressões sobre a Dinamarca em relação à Groenlândia.
O documento da Casa Branca enfatiza a intenção dos EUA de se aliar e expandir na região, recompensando e incentivando governos, partidos políticos e movimentos alinhados com seus princípios e estratégia. No entanto, o governo Trump ressalta que não ignorará governos com perspectivas diferentes, desde que compartilhem interesses e desejem colaborar.
A Casa Branca alega que concorrentes externos têm feito incursões no continente, prejudicando a economia dos EUA, e considera um erro estratégico permitir essas ações sem uma reação firme. As alianças dos EUA com países da região estarão condicionadas à redução gradual da influência externa adversária.
Alexandre Pires adverte que essa política externa pode limitar a soberania dos países da região, dificultando acordos com potências externas. Ele argumenta que, se um acordo entre um país latino-americano e a China afetar os interesses dos EUA, o país deverá negociar também com os Estados Unidos, sob pena de interferência por meio de tarifas, ações geopolíticas, geoeconômicas e, em última instância, militares.
Foco nas Empresas Estadunidenses
O documento delineia que os funcionários do governo em embaixadas devem priorizar o apoio às empresas dos EUA, ajudando-as a competir e prosperar. A Casa Branca também orienta que acordos com países da região, especialmente aqueles mais dependentes dos EUA, devem incluir contratos de fornecimento exclusivo para empresas americanas.
Os Estados Unidos pretendem priorizar a diplomacia comercial, utilizando tarifas e acordos comerciais recíprocos, e fortalecer parcerias de segurança, incluindo a venda de armas, o compartilhamento de informações e exercícios conjuntos.
CTA: Quer saber como essa mudança pode afetar seus negócios? Consulte nossos especialistas!
FAQ
O que é a Doutrina Monroe?
A Doutrina Monroe é uma política dos Estados Unidos criada em 1823 que visa impedir a interferência de potências europeias nas Américas. Ela estabelece que o continente americano deve ser livre da colonização e influência europeia.
Qual o impacto da reafirmação da Doutrina Monroe na América Latina?
A reafirmação da Doutrina Monroe pode limitar a soberania dos países da América Latina, dificultando acordos com potências externas como a China. Além disso, pode aumentar a pressão para que esses países alinhem suas políticas com os interesses dos Estados Unidos.
Como a nova estratégia dos EUA afeta as empresas da região?
A nova estratégia dos EUA prioriza o apoio às empresas americanas, o que pode gerar concorrência desleal com as empresas da América Latina. Além disso, os acordos comerciais podem ser condicionados ao fornecimento exclusivo para empresas americanas.


















