A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Profeta, cumprindo um mandado de busca e apreensão no estado do Ceará, em resposta a alegações de fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025. A ação, autorizada pela Justiça Federal, visa investigar a possível divulgação antecipada de questões semelhantes às que foram aplicadas no exame.
O gatilho para a investigação foi um alerta do Ministério da Educação (MEC) sobre a disseminação online de conteúdos que se assemelhavam às questões do segundo dia do Enem. A equipe técnica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) identificou esses relatos e acionou as autoridades.
O cumprimento do mandado de busca e apreensão no Ceará é um passo crucial na investigação. A Polícia Federal busca coletar evidências que possam confirmar ou refutar a ocorrência da fraude, identificar os responsáveis e determinar a extensão do dano causado ao processo seletivo.
A operação tem como objetivos principais esclarecer os fatos, apurar possíveis ilícitos, identificar os responsáveis pela obtenção e divulgação indevida das informações, e verificar se há conexões com outros crimes. A Polícia Federal reafirmou seu compromisso com a integridade dos concursos públicos e com o combate a fraudes que comprometam a confiança da sociedade nos processos seletivos nacionais.
A suspeita de vazamento de conteúdos similares aos que caíram no Enem 2025 resultou na anulação de três questões do exame, medida anunciada pelo Inep como precaução. Adicionalmente, o Inep antecipou a divulgação do gabarito oficial do segundo dia de provas do Enem.
O ministro da Educação, Camilo Santana, informou que uma pessoa que participou de um pré-teste do Enem teria divulgado as questões durante uma transmissão ao vivo na internet, dias antes da aplicação da prova.
O pré-teste do Enem é uma etapa experimental e sigilosa, onde novas questões são aplicadas a uma amostra de estudantes. O objetivo é avaliar a qualidade e a adequação dessas questões antes de serem incluídas no Banco Nacional de Itens (BNI). As questões só são incorporadas ao BNI se atenderem a todos os critérios estabelecidos pelo Inep.
Após serem aprovadas e integradas ao BNI, as questões ficam disponíveis para serem utilizadas nas provas do Enem. A segurança e o sigilo do BNI são fundamentais para garantir a lisura do exame.
No dia 16 de novembro, cerca de 3,36 milhões de participantes do Enem resolveram 90 questões de múltipla escolha, divididas em 45 questões de ciências da natureza e suas tecnologias (biologia, química e física) e 45 questões de matemática e suas tecnologias.
A fraude sob investigação lança uma sombra sobre a credibilidade do Enem 2025 e levanta questões sobre a segurança do processo de elaboração e aplicação do exame. A Polícia Federal está empenhada em conduzir uma investigação completa e transparente para identificar os responsáveis e garantir que medidas sejam tomadas para evitar que incidentes semelhantes ocorram no futuro.
A anulação de três questões e a antecipação da divulgação do gabarito são medidas paliativas que visam minimizar o impacto da fraude sobre os resultados do Enem. No entanto, a investigação da Polícia Federal é fundamental para identificar a causa raiz do problema e implementar soluções de longo prazo para proteger a integridade do exame.
O Enem é uma ferramenta crucial para o acesso ao ensino superior no Brasil, e sua credibilidade é essencial para garantir a igualdade de oportunidades para todos os estudantes. A fraude sob investigação representa uma ameaça a essa credibilidade e exige uma resposta firme e eficaz das autoridades.
A Polícia Federal está trabalhando em estreita colaboração com o Ministério da Educação e o Inep para esclarecer os fatos e garantir que os responsáveis pela fraude sejam responsabilizados. A investigação está em andamento e novas informações devem ser divulgadas à medida que forem apuradas.
A expectativa é que a investigação da Polícia Federal não apenas identifique os responsáveis pela fraude, mas também revele as falhas no sistema de segurança que permitiram que ela ocorresse. Com base nessas informações, o Inep poderá implementar medidas para fortalecer a segurança do Enem e garantir que o exame continue sendo uma ferramenta confiável e justa para o acesso ao ensino superior.



















