Jorge Messias, advogado-geral da União indicado pelo presidente Lula para a vaga no STF, ascendeu ao reconhecimento nacional em 2016, durante o episódio do vazamento de uma escuta telefônica da Lava Jato, quando foi citado como “Bessias”.
Na ocasião, a ex-presidente Dilma Rousseff mencionou o envio do “Bessias” juntamente com o termo de posse para Lula, “em caso de necessidade”, visando sua nomeação como ministro da Casa Civil. Essa ação foi interpretada como uma possível obstrução às investigações da Lava Jato.
Apesar de não haver irregularidades na conduta de Messias, então subchefe de Assuntos Jurídicos, o episódio marcou um período de forte rejeição aos governos petistas.
Anos depois, Messias desempenhou um papel crucial como interlocutor entre o governo Lula e o segmento evangélico, que majoritariamente apoiava o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Membro da Igreja Batista e diácono em Brasília, Messias frequentemente compartilha em discursos e redes sociais como a Bíblia influencia sua visão de mundo.
Em 2023, lideranças evangélicas o procuraram após a publicação de uma resolução do Conselho Nacional de Saúde que sugeria reduzir para 14 anos a idade mínima para o início da terapia hormonal para mudança de sexo, uma das principais preocupações do segmento em relação ao governo Lula.
A Frente Parlamentar Evangélica da Câmara acionou Messias, que garantiu que essa pauta não era defendida por Lula e se comprometeu a articular com o Ministério da Saúde para impedir o avanço da resolução.
No Supremo, Messias se manifestou contra uma ação de associações ligadas ao movimento LGBTQIA+ que questionava um parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proibia a terapia hormonal para “tratamento de incongruência de gênero ou disforia de gênero em crianças e adolescentes”. Ele argumentou sobre a importância da proteção à saúde de crianças e adolescentes, incluindo o controle e a fiscalização de procedimentos de interesse para a saúde.
Não filiado ao PT, Messias construiu sua trajetória como consultor jurídico de ministérios, Procurador da Fazenda Nacional desde 2007, e consultor jurídico dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação, além de Secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior.
Após o governo Dilma, chefiou o gabinete de Jaques Wagner no Senado. Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), possui mestrado e doutorado pela Universidade de Brasília (UnB).
Messias conquistou a confiança de Lula ainda na montagem do governo, coordenando juridicamente a transição e atuando na redação de decretos de reestruturação da Esplanada, incluindo a definição do orçamento para 2023.
Lula elogiou a eficiência e discrição de Messias, cogitando-o para o STF. A vaga foi ocupada por Flávio Dino, então ministro da Justiça. Ministros e dirigentes do PT destacam a qualificação de Messias, lembrando que ele seria o quarto ministro da atual composição a assumir a cadeira após passagem pela AGU, seguindo o percurso de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e André Mendonça.
Fonte: jornaldebrasilia.com.br


















