Sumário
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Minerais Críticos: Lula Defende Soberania e Valor Agregado no G20
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a Cúpula de Líderes do G20 em Joanesburgo, África do Sul, alertou sobre a importância da soberania dos países em relação ao conhecimento e ao valor agregado dos minerais críticos. O discurso ocorreu na última sessão temática do evento, que reuniu as maiores economias do mundo para discutir temas cruciais como minerais críticos, inteligência artificial e trabalho decente.
Minerais Críticos no G20: Soberania e Valor Agregado
Lula enfatizou que a forma como esses três vetores de desenvolvimento são integrados determinará o futuro das próximas gerações. A discussão sobre minerais críticos ganhou destaque no G20, com a expectativa de publicação de um documento que reforça a importância de beneficiar esses produtos nos países de origem, seguindo princípios de extração e beneficiamento responsáveis.
Os minerais críticos são elementos essenciais para diversos setores estratégicos, incluindo tecnologia, defesa e a transição energética. A oferta desses minerais, que incluem lítio, cobalto, níquel e terras raras, está sujeita a riscos de escassez e dependência de poucos fornecedores. Esses elementos são fundamentais para a produção de baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.
Transição Energética e Recursos Naturais
O presidente Lula argumentou que a transição energética oferece oportunidades para expandir as fronteiras tecnológicas e redefinir o papel da exploração de recursos naturais. Ele destacou que países com grandes reservas minerais não devem ser tratados como meros fornecedores, mas sim como parceiros na inovação tecnológica.
A soberania, segundo Lula, não se mede apenas pela quantidade de depósitos naturais, mas pela capacidade de transformar esses recursos em benefícios para a população, através de políticas responsáveis. Ele defendeu investimentos ambiental e socialmente responsáveis que fortaleçam a base industrial e tecnológica dos países detentores de recursos.
Brasil e os Minerais Críticos
O Brasil detém cerca de 10% das reservas mundiais de minerais críticos, de acordo com o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram). No entanto, a busca por esses minerais para projetos de transição energética tem gerado conflitos em novas frentes exploratórias, além de acelerar a crise climática.
O governo brasileiro criou o Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos para planejar políticas de exploração mineral. Lula reafirmou que o Brasil não pretende ser apenas um exportador, mas um parceiro na cadeia global de valor desses elementos.
Inteligência Artificial e Governança Global
No que se refere à inteligência artificial (IA), Lula a vê como uma oportunidade única para impulsionar o desenvolvimento equitativo das nações. Ele defende a criação de uma governança global e representativa para a IA, garantindo que seus benefícios sejam compartilhados por todos.
A IA, segundo o presidente, pode promover a inovação, aumentar a produtividade, estimular práticas sustentáveis e melhorar a vida das pessoas. No entanto, o desafio é garantir que todos possam utilizá-la de forma segura e confiável. Lula alertou para o risco de uma nova forma de colonialismo digital, onde poucos controlam os algoritmos, os dados e as infraestruturas atreladas aos processos econômicos.
Inclusão Digital e Desenvolvimento Tecnológico
Lula lembrou que 2,6 bilhões de pessoas ainda não têm acesso ao mundo digital. Em países de alta renda, 93% da população tem acesso à internet, enquanto nos países de baixa renda, esse percentual é de apenas 27%. Ele enfatizou a necessidade de evitar que a inovação gere exclusão.
O presidente defendeu que o desenvolvimento tecnológico deve estar atrelado a oportunidades de trabalho e proteção ao trabalhador, uma vez que 40% dos trabalhadores no mundo estão em funções altamente expostas à IA, com risco de automação. Ele ressaltou que cada avanço tecnológico deve carregar consigo a marca da inclusão social.
Trabalho Decente e Direitos Humanos
Cada painel solar, cada chip e cada linha de código devem fortalecer, e não fragilizar, os direitos humanos e trabalhistas, afirmou Lula. Ele defendeu a criação de pontes entre os setores tradicionais e emergentes, garantindo que a tecnologia seja utilizada para o bem-estar de todos.
O Papel do G20 e a Agenda Futura
O G20, como principal órgão de cooperação econômica internacional, tem um papel crucial na promoção de um desenvolvimento global equitativo e sustentável. A cúpula na África do Sul, sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, priorizou o fortalecimento da resiliência a desastres, a sustentabilidade da dívida pública de países de baixa renda, o financiamento para a transição energética justa e os minerais críticos como motores de desenvolvimento econômico.
A presidência sul-africana encerra um ciclo em que todos os países exerceram a liderança do grupo pelo menos uma vez. Paralelamente à cúpula, Lula participou de reuniões com líderes do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas), iniciativa que promove a cooperação entre países do Sul Global desde 2003.
Além disso, Lula manteve encontros bilaterais com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz. Após a participação no G20, o presidente seguiu para Maputo, Moçambique, para uma visita de trabalho, marcando os 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países.
















