Em um gesto marcante, a presidente Claudia Sheinbaum dedicou o tradicional “Grito de Independência” do México aos migrantes e às mulheres. Em meio a um cenário de tensões internacionais, a líder celebrou um México “livre, independente e soberano” em seu primeiro “Grito de Independência” como chefe de Estado, marcando um feito histórico para as mulheres no país.
“Viva México livre, independente e soberano (…) vivam nossas irmãs e irmãos migrantes”, exclamou Sheinbaum da sacada presidencial, em uma homenagem aos cerca de 12 milhões de mexicanos que residem nos Estados Unidos.
O gesto ganha relevância em um período em que cerca de 75 mil cidadãos mexicanos retornaram voluntariamente ao país desde a intensificação das políticas de controle migratório. Durante essas operações, um cidadão mexicano faleceu em julho, em decorrência de ferimentos sofridos ao tentar escapar das autoridades.
A presidente, que conquistou uma vitória expressiva nas eleições e possui um índice de aprovação popular de 70%, também inovou ao incluir o clamor “Vivam as mulheres indígenas” em sua proclamação.
Além disso, Sheinbaum homenageou quatro heroínas da Independência, um número superior ao habitual em relação aos seus antecessores. A presidente recebeu a bandeira nacional de uma escolta composta exclusivamente por cadetes do sexo feminino.
Apesar da celebração, a realidade mexicana se fez presente, com o cancelamento das comemorações locais pelo governador do estado de Sinaloa e pelos prefeitos de quatro municípios de Michoacán, devido a preocupações com a segurança.
Desde que assumiu o cargo, Sheinbaum tem se apresentado como “presidenta com ‘a'” e “comandanta” das Forças Armadas, passando em as tropas vestindo trajes com bordados indígenas.
O evento histórico, no qual a física de 63 anos agitou a bandeira nacional e tocou o sino no Zócalo, principal praça pública do país, é considerado um marco importante.
“Abre um espaço que estava tacitamente vedado para as mulheres”, avaliou o historiador Lorenzo Meyer, ressaltando a aceitação da sociedade mexicana em relação ao papel das mulheres no poder político.
A celebração seguiu os passos de Miguel Hidalgo, figura central no processo de independência do México. Hidalgo liderou a luta até sua execução em 1811, e sua cabeça foi exposta junto com a de outros líderes independentistas.
Embora a versão popular do “Grito” seja amplamente aceita, sua origem é incerta. Há indícios de que a celebração tenha sido promovida por Maximiliano de Habsburgo, imperador do México durante a intervenção francesa. Porfirio Díaz institucionalizou o ato na noite de 15 de setembro, transferindo o sino para a capital para coincidir com seu aniversário.
Fonte: jornaldebrasilia.com.br

















