Após 43 dias, o governo federal dos Estados Unidos retomou suas atividades na última quarta-feira, com a assinatura do orçamento pelo presidente. O acordo, fruto de negociações entre democratas e republicanos, encerrou a mais longa paralisação governamental da história americana, durante a qual apenas serviços essenciais permaneceram em funcionamento.
A aprovação do projeto de lei, essencial para o financiamento das agências federais até 30 de janeiro de 2026, foi concluída com 222 votos a favor e 209 contra na Câmara, após o Senado aprovar o texto por 60 a 40. A paralisação deste ano superou o recorde anterior, estabelecido em 2018, quando o governo ficou paralisado por 35 dias. Estima-se que 1,4 milhão de servidores públicos foram afetados pela suspensão dos pagamentos durante o período.
Apesar do fim do “shutdown”, a questão fiscal permanece um desafio. O Congresso ainda não conseguiu aprovar um projeto de lei orçamentária abrangente, o que mantém o governo operando sob acordos temporários. O impasse reflete uma disputa contínua entre os partidos sobre a extensão dos subsídios da Lei de Cuidados Acessíveis e outras questões.
Enquanto os democratas buscam garantir a prorrogação dos subsídios, os republicanos condicionam o apoio à aprovação de uma votação sobre o tema em dezembro, gerando desconfiança por parte de alguns democratas sobre o cumprimento do acordo.
O cerne da questão reside no crescente déficit da economia americana. No decorrer deste ano, as três principais agências de classificação de risco – Moody’s, S&P Global e Fitch – rebaixaram a nota de crédito dos Estados Unidos.
A deterioração da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB), juntamente com a instabilidade institucional, a fragilidade do mercado de trabalho, a inflação e a redução das reservas, foram fatores determinantes para o rebaixamento da nota.
Em relação ao futuro, a agência Moody’s estima que a relação entre dívida e PIB dos EUA passará de 98% para 134% em 2025. Além disso, os pagamentos de juros deverão consumir 30% da arrecadação federal, um aumento de 18% em relação ao ano anterior.
Os problemas fiscais dos Estados Unidos se intensificaram a partir de 2001, quando o país começou a gastar mais do que arrecadava. Atualmente, a dívida acumulada é de aproximadamente US$ 36 trilhões. No ano passado, o governo gastou US$ 881 bilhões apenas com o pagamento de juros.
No início deste ano, o presidente propôs um projeto fiscal que pode adicionar US$ 2,4 trilhões à dívida americana nos próximos anos, gerando críticas até mesmo de aliados.
Fonte: forbes.com.br


















