O Haiti pode garantir uma vaga na Copa do Mundo nesta terça-feira, em meio a uma crise humanitária e social que assola o país. A situação é tão grave que o técnico da seleção haitiana nunca pôde trabalhar no país caribenho.
Gangues armadas controlam grande parte de Porto Príncipe, a capital, causando deslocamento de cerca de 1,3 milhão de pessoas e agravando a insegurança alimentar.
O Departamento de Estado dos EUA desaconselha viagens ao Haiti, citando riscos de sequestro, criminalidade, terrorismo e agitação civil.
Diante desse cenário, o técnico francês Sébastien Migne, de 52 anos, nunca esteve no Haiti desde sua nomeação há 18 meses. “É impossível, é muito perigoso. Eu normalmente moro nos países onde trabalho, mas aqui não posso. Não há mais voos internacionais”, disse ele.
Migne tem se baseado em informações fornecidas por dirigentes da federação haitiana para avaliar jogadores locais. “Eles me dão informações e eu gerencio a equipe remotamente.”
Paralelamente, ele tem se esforçado para convocar jogadores com ascendência haitiana que atuam no exterior. Ele conseguiu atrair Jean-Ricner Bellegarde, ex-jogador da seleção francesa sub-21, Josué Casimir, atacante do AJ Auxerre, e Hannes Delcroix, ex-zagueiro belga.
Todos eles participaram da vitória por 1 a 0 sobre a Costa Rica, resultado importante nas eliminatórias da Concacaf. “Sinto que estou representando minha família”, afirmou Bellegarde. “É um país pequeno, mas agora temos a chance de jogar a Copa do Mundo, então minha família me diz que é um bom momento para jogar pelo Haiti, e eu acho que é uma grande oportunidade para mim.”
Migne ainda busca convencer Wilson Isidor, atacante do Sunderland, a defender a seleção haitiana.
A seleção do Haiti é composta atualmente por jogadores que atuam no exterior, e tem sediado seus jogos em campo neutro, utilizando Curaçao como base. É lá que a equipe enfrentará a Nicarágua nesta terça-feira.
O Haiti se classificará para a Copa do Mundo pela primeira vez desde 1974 se a Costa Rica vencer Honduras. As duas seleções lideram o Grupo C empatados em pontos, dois à frente da Costa Rica. A Nicarágua já está eliminada.
Migne, que foi auxiliar técnico de Camarões na última Copa do Mundo, no Catar, tem elogiado a atitude de seus jogadores, apesar das dificuldades enfrentadas pelo país.
O capitão da equipe, o goleiro Johny Placide, acredita que a classificação traria esperança para os haitianos. “Seria um imenso motivo de orgulho para toda a nação. Não apenas para nós, jogadores”, disse ele. “Para os jovens, seria uma vitrine, uma nova perspectiva. A dificuldade é não saber se vamos conseguir, mas sabemos que estamos a um passo de distância. Devemos manter a calma e não ter arrependimentos.”
Fonte: www.cnnbrasil.com.br



















