É comum que a mente persista em revisitar conversas passadas ou antecipar múltiplos desfechos para situações incertas. Essa repetição mental, embora exaustiva, pode ser uma tentativa do cérebro de controlar o imprevisível e garantir a segurança.
A mente, simultaneamente aliada e adversária, utiliza essa hiperatividade como um mecanismo de sobrevivência. Em momentos de incerteza, o cérebro busca manter o indivíduo preparado e alerta, atuando como um “guarda-costas” excessivamente zeloso.
Entretanto, esse instinto de proteção, quando descontrolado, pode perturbar a paz interior, interrompendo o sono e questionando decisões já tomadas. No entanto, estudos indicam que essa tendência a pensar demais pode ter um papel psicológico relevante, desde que utilizada de maneira correta.
O pensamento excessivo geralmente se manifesta em dois padrões: a repetição do passado e a simulação do futuro. Ambos decorrem de um sistema nervoso que busca segurança na certeza. A mente, então, analisa incessantemente, mesmo após a conclusão de um evento, na vã esperança de encontrar uma solução.
Esse padrão está frequentemente associado à sensação de algo inacabado. Em situações desconfortáveis ou confusas, a lógica parece ser um refúgio mais seguro do que a simples aceitação das emoções. O que começa como autoproteção pode se transformar em um mecanismo de enfrentamento ineficaz.
Indivíduos criados em ambientes onde erros têm consequências graves ou onde a incerteza representa um perigo tendem a se preparar mentalmente para todas as possibilidades. Com o tempo, a mente se torna hipervigilante, buscando riscos mesmo onde eles não existem. Essa estratégia, útil na infância, pode se tornar ruminação na vida adulta.
Compreender a origem desse hábito pode suavizar a autocrítica e lembrar que a mente não está defeituosa, apenas sobrecarregada. Entender seu funcionamento permite direcioná-la, em vez de combatê-la.
Existem três padrões comuns de pensamento excessivo:
O resolvedor: repete eventos para identificar e evitar erros futuros.
O preocupado: simula cenários negativos para se sentir preparado.
O superanalisador: examina todas as opções antes de tomar uma decisão.
Cada tipo possui pontos fortes e fracos. O objetivo é transformar a ruminação em clareza e ação, tornando a mente uma guia, não uma crítica.
Para transformar o pensamento excessivo em algo útil, existem três estratégias comprovadas:
1. Transforme o pensamento excessivo em organização: Externalize os pensamentos, retirando-os da mente e colocando-os em um lugar visível. Anote-os ou divida-os em perguntas para clarear as ideias. Esse exercício, chamado de “defusão cognitiva”, permite receber a informação contida nos pensamentos, em vez de tratá-los como comandos. Estudos mostram que pessoas que se distanciam de seus pensamentos são mais eficazes na resolução de problemas.
2. Contraponha “E se?” com “Então o que?”: Interrompa o ciclo de perguntas intermináveis e cenários hipotéticos, preenchendo as lacunas. Em vez de repetir “E se eu falhar?”, pergunte-se “Então, o que eu faria?”. Essa mudança permite experimentar o medo e superá-lo, dando ao cérebro a oportunidade de procurar soluções em vez de ameaças. Um estudo recente revelou que a decisão final surge quando a pessoa opta por interromper a deliberação, e não por ter clareza total sobre a solução.
3. Canalize o pensamento excessivo para a antecipação: Direcione o pensamento para simular futuros positivos, planejando e se preparando para diferentes cenários. Verifique se essa preparação mental está auxiliando ou punindo você. A intenção é a chave: se os pensamentos buscam controlar, eles criam caos; se buscam compreender, eles trazem clareza. Pessoas que utilizam o pensamento excessivo de forma produtiva separam o essencial do irrelevante e respondem à própria mente com compaixão.


















