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ToggleO mercado global de petróleo projeta uma retração significativa para o ano de 2025, com expectativas de que os preços registrem sua maior queda anual desde 2020. Este cenário emerge em meio a uma combinação de fatores geopolíticos e econômicos que convergem para a formação de um excesso de oferta. Embora os contratos futuros do petróleo tenham apresentado valorização durante a quarta-feira, a perspectiva de longo prazo para o próximo ano aponta para um declínio substancial nos valores de referência.
Especificamente, a previsão é de uma queda superior a 15% nos preços gerais do petróleo ao longo de 2025. Os contratos futuros do petróleo Brent, um dos principais índices globais, estão a caminho de um decréscimo anual superior a 17% para o próximo ano. Se essa projeção se concretizar, representará o declínio percentual anual mais expressivo para o Brent desde 2020, marcando ainda um terceiro ano consecutivo de baixas. Esta sequência de perdas seria a mais longa registrada até o momento para este referencial. Paralelamente, o petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) também caminha para uma perda anual considerável, aproximando-se de 19%.
As causas primárias para essa tendência de baixa no ano vindouro estão intrinsecamente ligadas ao aumento das expectativas de excesso de oferta no mercado. O ano de 2025 é contextualizado por elementos como conflitos armados, a implementação de tarifas comerciais mais elevadas, uma maior produção por parte dos países membros da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) e a manutenção ou intensificação de sanções econômicas direcionadas a nações produtoras como Rússia, Irã e Venezuela. Cada um desses fatores contribui, de maneira distinta, para a dinâmica complexa que gera a pressão de baixa nos preços.
A previsão de excesso de oferta é um ponto crucial, pois a abundância de petróleo no mercado, sem um correspondente aumento na demanda, invariavelmente leva à depreciação dos valores. O aumento da produção por parte do cartel Opep+ é uma das razões diretas para essa expectativa de sobreoferta. Historicamente, as decisões de produção desse grupo influenciam diretamente a quantidade de barris disponíveis globalmente. Quando há um aumento na extração, a oferta disponível no mercado tende a superar a demanda, exercendo pressão descendente sobre os preços. Este controle sobre a oferta é um mecanismo fundamental na estratégia de estabilização ou ajuste do mercado.
Além disso, o cenário macroeconômico global, marcado por tarifas comerciais elevadas, tem o potencial de desacelerar o comércio internacional e a atividade industrial. Uma redução no ímpeto econômico global tipicamente resulta em uma menor demanda por energia, incluindo o petróleo, que é um insumo essencial para transporte e produção. A presença de guerras, embora por vezes possa gerar volatilidade ou interrupções localizadas no fornecimento, no contexto atual é mencionada como um elemento que compõe o panorama de um ano propenso ao excesso de oferta. Conflitos podem, por exemplo, deslocar rotas de comércio ou incentivar a produção em outras regiões, alterando o balanço de oferta e demanda. As sanções impostas a Rússia, Irã e Venezuela, embora visem restringir a capacidade de exportação desses países, podem também catalisar ajustes no mercado global, com outros produtores potencialmente preenchendo lacunas ou com o petróleo desses países encontrando outros mercados a preços diferenciados, contribuindo para a dinâmica geral da oferta.
Em meio a esse panorama, analistas de mercado compartilham visões sobre a trajetória futura dos preços. Jason Ying, analista de commodities do BNP Paribas, apresenta uma previsão detalhada para o petróleo Brent. Ele antecipa que o preço do barril poderá cair para US$55 no primeiro trimestre do ano subsequente, 2026. No entanto, sua projeção inclui uma recuperação posterior, com o Brent atingindo a marca de US$60 por barril no restante de 2026. Essa recuperação estaria condicionada à normalização do crescimento da oferta e à estabilidade da demanda global.
Ying explicita o fundamento de sua análise mais pessimista em relação ao curto prazo, comparada à percepção geral do mercado. Ele argumenta que os produtores de petróleo de xisto dos Estados Unidos conseguiram realizar operações de “hedge” em patamares de preço elevados. Essa estratégia financeira permite que os produtores garantam um preço futuro para sua produção, mitigando riscos de quedas. O resultado prático é que a oferta proveniente dos produtores de xisto norte-americanos se torna mais consistente e menos sensível às flutuações de preços no mercado spot. Esse fator contribui para uma oferta contínua, independentemente de eventuais baixas nos preços de curto prazo, reforçando a probabilidade de excesso de oferta e, consequentemente, de uma menor valorização do petróleo. Para entender a relação entre oferta e demanda global, consulte .
Apesar da projeção de queda para 2025, os preços dos contratos futuros registraram alta na quarta-feira. O petróleo Brent avançava 0,46%, sendo negociado a US$61,61 por barril. Simultaneamente, o petróleo WTI registrava um aumento de 0,48%, alcançando o valor de US$58,23 por barril. Estes movimentos diários, embora positivos, contrastam com a expectativa de desempenho anual. Dados da LSEG indicam que os preços médios de 2025 para ambos os índices de referência, Brent e WTI, são os mais baixos registrados desde 2020. Este dado reforça a magnitude da projeção de desvalorização para o próximo ano, colocando-o em um patamar de preços que não era visto há alguns anos no mercado de energia.
A situação dos estoques de petróleo bruto e combustível nos Estados Unidos também é um indicador relevante para o mercado. Fontes do mercado, citando números divulgados pelo American Petroleum Institute (API) na terça-feira, informaram que os estoques de petróleo bruto e combustível dos EUA aumentaram na semana anterior. O crescimento dos estoques, em geral, sugere que a oferta está superando a demanda no curto prazo, o que adiciona um componente baixista aos preços. A Administração de Informações sobre Energia (EIA) dos EUA está prevista para divulgar seus próprios dados sobre os estoques ainda nesta quarta-feira, fornecendo uma confirmação oficial ou uma perspectiva adicional sobre a situação do armazenamento no maior consumidor de petróleo do mundo. Para aprofundar-se em como a oferta e demanda de energia impactam a economia, veja .
O conjunto desses fatores – projeções de excesso de oferta impulsionadas por ações da Opep+, sanções, tarifas e a resiliência da produção de xisto dos EUA – solidifica a expectativa de um ano desafiador para os preços do petróleo em 2025. A influência desses elementos combinados forma a base para a maior queda anual do mercado desde 2020, sinalizando um período de reajuste e volatilidade para os produtores e consumidores globais.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre a Projeção de Queda do Petróleo
1. Qual a projeção de queda para os preços do petróleo em 2025?
O mercado projeta uma queda superior a 15% nos preços gerais do petróleo em 2025. Especificamente, o Brent deve cair mais de 17% e o WTI quase 19%, marcando a maior queda anual desde 2020.
2. Quais são os principais fatores que contribuem para a expectativa de queda nos preços do petróleo?
Os principais fatores incluem um aumento das expectativas de excesso de oferta no mercado, guerras, tarifas mais altas, o aumento da produção da Opep+ e as sanções econômicas impostas à Rússia, Irã e Venezuela.
3. Qual a previsão do analista Jason Ying do BNP Paribas para o petróleo Brent?
Jason Ying prevê que o Brent cairá para US$55 por barril no primeiro trimestre de 2026, antes de se recuperar para US$60 por barril no restante de 2026, à medida que a oferta se normaliza e a demanda permanece estável.
4. Como a produção de xisto dos EUA influencia essa projeção de queda?
Os produtores de xisto dos EUA realizaram operações de hedge em níveis elevados, o que significa que sua oferta será mais consistente e menos sensível aos movimentos de preços, contribuindo para a persistência do excesso de oferta no mercado.
Para mais informações sobre as tendências do mercado de commodities e seu impacto global, continue acompanhando as análises especializadas.
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Rank Math — Meta Description: O mercado de petróleo projeta uma queda anual significativa para 2025, a maior desde 2020. Entenda as expectativas de excesso de oferta e fatores macroeconômicos.
Fonte: https://www.infomoney.com.br


















