Cacique raoni clama por luta contínua ao fim da cúpula dos povos

A Cúpula dos Povos, evento paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), chegou ao fim neste domingo (16), com um chamado à ação do cacique Raoni Metuktire. A liderança indígena, em sua mensagem de encerramento, relembrou seu histórico de alertas sobre a destruição ambiental, das florestas e dos modos de vida dos povos originários.

“Há muito tempo, eu vinha alertando sobre o problema que, hoje, nós estamos passando, de mudanças climáticas, de guerras”, afirmou Raoni. Ele apelou à continuidade da luta em defesa da vida na Terra e contra aqueles que buscam sua destruição. “Mais uma vez, peço a todos que possamos dar continuidade a essa missão de poder defender a vida da Terra, do planeta. Eu quero que tenhamos essa continuidade de luta, para que possamos lutar contra aqueles que querem o mal, que querem destruir a nossa terra”, completou.

Raoni também expressou preocupação com os conflitos globais, instando a mais amor e respeito entre as pessoas. “Há muito tempo, eu venho falando para que possamos ter respeito um com o outro e possamos viver em paz nessa terra”, disse.

O encerramento da Cúpula dos Povos foi marcado por um “banquetaço” na Praça da República, onde cozinhas comunitárias distribuíram alimentos e celebraram a cultura.

Durante o evento, foi lida uma carta final, que criticava as “falsas soluções” para a emergência climática. O documento ressaltou a importância do “internacionalismo popular” e da troca de conhecimentos para construir laços de solidariedade e cooperação entre os povos. “As verdadeiras soluções são fortalecidas por esta troca de experiências, desenvolvidas em nossos territórios e por muitas mãos. Temos o compromisso de estimular, convocar e fortalecer essas construções”, dizia a carta.

O documento foi entregue ao presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, que prometeu apresentá-lo nas reuniões de alto nível. A carta também enfatizou a centralidade do feminismo e do trabalho de reprodução da vida, diferenciando-se de sistemas econômicos que priorizam o lucro.

A carta também apontou o capitalismo como a principal causa da crise climática e denunciou o racismo ambiental. Empresas transnacionais dos setores de mineração, energia, armas, agronegócio e tecnologia foram citadas como grandes responsáveis pela catástrofe climática.

O documento exigiu a demarcação de terras indígenas, reforma agrária, fim dos combustíveis fósseis, financiamento público para uma transição justa, e o fim das guerras, além de maior participação dos povos nas soluções climáticas, reconhecendo os saberes ancestrais.

A carta criticou o avanço da extrema direita, do fascismo e das guerras, defendendo a Palestina e condenando o genocídio praticado contra seu povo. A ação militar dos Estados Unidos no mar do Caribe também foi alvo de críticas.

A Cúpula dos Povos reuniu cerca de 70 mil pessoas de movimentos sociais, povos originários, trabalhadores e comunidades diversas. O evento começou com críticas à falta de participação popular na COP30, com organizações apontando a omissão de países ricos em relação às metas do Acordo de Paris. Uma “barqueata” na orla de Belém marcou a abertura do evento, defendendo a Amazônia e os povos tradicionais. No dia anterior, aproximadamente 70 mil pessoas participaram da Marcha Mundial pelo Clima.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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